sexta-feira, outubro 09, 2009

Deixa-me

Deixa-me andar por ai, sozinho e em paz, quero o sol brilhando forte no meu rosto e um mar calmo e azul para meus olhos contemplarem a imensidão do mundo, andar sobre as pedras quentes e afiadas para me sentir vivo, escutar as ondas açoitando com toda força as rochas inertes ao tempo. Uma garrafa d’água pra para aliviar a secura de minha alma.

Deixa-me andar por ai, sem rumo, sem destino certo, sem hora pra chegar. Quando a noite rasgar o dia quero deitar meu corpo cansado da vida sobre a terra que um dia me receberá. Ver as estrelas brilhando na noite límpida e plácida, sem saber se sou eu que as admiro ou elas que me observam iluminado por seu brilho.

Deixa-me sonhar com a claridade da lua, iluminando meus desejos que não realizei, fantasiar com a vida que não tive, me deixe aqui sozinho e em paz por mais um momento, só para eu esquecer as dores e desilusões. Deixa o orvalho molhar minha face, penetrando em minha pele com um pouco de vida.

Deixa-me acordar com o canto dos pássaros, com a brisa me sacudindo para o último esforço do parto do amanhecer, deixa as nuvens trazerem a chuva para lavar meu corpo, pra limpar minha alma. Deixa eu pisar no chão úmido, andar por entra a mata molhada, sentir o aroma da natureza, deixa-me descobrir nas trilhas a cachoeira que sonhei, me deixe entrar debaixo das águas que caem forte para que possam bater em mim, quem sabe me acordando da vida que não vivi.

Deixa-me ir por ai, sentir a vida em cada flor, em cada cheiro, em cada passo, em cada segundo d minha humilde existência. Por fim, deixa-me morrer aqui nessa terra que o homem não conseguiu destruir, deixa eu permanecer aqui pela eternidade fazendo parte da alma do Mundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo! Mais uma vez , eu me indentifiquei.
Nossa!