quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Tempo Carrasco

Ahhh, bem que o destino poderia fazer o tempo voltar... Quem sabe me dar uma segunda chance. Mas não... Pura tolice, o tempo é carrasco, não volta nunca, nunca dá uma segunda chance.
Vivemos tão apressados, correndo tanto, vivendo pouco... Cercados de dogmas e normas impostas e na maioria das vezes hipócritas e inúteis, mas acreditamos nelas e acabamos deixando a vida passar por nós, algumas vezes por medo, outras vezes por falta de experiência, de qualquer modo sempre deixamos a vida passar por nós.
Deixamos os amores passarem, deixamos as aventuras de viver momentos especiais, deixamos a alegria de lado para muitas vezes chorarmos por coisas inúteis. Ahhh...se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio, assim dizia Mario...
Vivemos os dias enterrados em dúvidas, medos, preocupações tolas, nos achamos mais importantes do que somos, acahmos muitas vezes pessoas mais importantes do que realmente são. Damos muito valor ao espelho perdendo horas irrecuperáveis frente a própria imagem, olhando muita vezes, as máscaras que insistimos em nos vestir a face. Como dizia Mário:
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...

Deixamos muitas vezes de conhecer pessoas, viver momentos novos e diferentes por medo de parecermos vulgares e volúveis, mas depois choramos as oportunidades que o amor nos oferece e viramos as costas. Perdemos muito tempo gritando ao mundo que amamos para alguns dias, com sorte, alguns meses depois dizer que não passou desilusão... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... Diaria mais Mário, diria que amo a tudo e todos, pois o amor deve e é verdadeiro quando é universal.
Quantas vezes deixamos de fazer o que gostamos, o que desejamos, o que fantasiamos, por alegar falta de tempo, por alegar falta de coragem, por sempre arrumar uma desculpe inútil pra justificar nossa falta de capacidade de ir além...ou até pior quando os outros nos impõe regras que nos bloqueiam os desejos... E tem mais, diria Mário: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo... Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. Na maioria do tempo deixamos de viver para apenas existir...

 Como sempre dizia Mário:
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."Mário Quintana"











Oração do tempo " Caetano Veloso"
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
"Caetano Veloso"

sábado, fevereiro 06, 2010

Meu Apocalipse

Com fogos de dor de um tiro em minha alma, você corre para se esconder no templo do amor, onde o vento que soprará meu nome por toda essa terra.
Acreditando na dor e no medo exterior, mas algo percorre o tempo e as lágrimas choverão pelas paredes com os olhos dos amantes.

No templo do amor: Brilha como trovão
No templo do amor: Chora como chuva
No templo do amor: Ouça meu chamado
No templo do amor: Ouça meu nome

E o demônio em roupas pretas observa tudo, é tão bom ser observado.. a adrenalina corre live e forte feito um tsunami invadindo minha alma, sinto até meu anjo da guarda fugindo, estamos só agora. A vida é curta e o amor sempre acaba pela manhã, não é mesmo amiga?

Vento negro leve-me para longe, longe de tudo que não sou, longe de tudo que nunca serei, alguns acham loucura demais esse meu modo de amar, outros pura fantasia insana.

Com a morte da luz do sol e a noite sobre mim, com a arma de um amante e a dor de um tiro por dentro, preciso ir além de uma cama e do sexo das pessoas comuns, preciso usar mais que o corpo, preciso da alma, da mente, de todos os sentidos, peciso de mais loucura, mais desejos impuros e sem limites invadindo minha noite.

Quero gritar para o vento que soprará e atirará suas muralhas para todos os lados, como os fogos de artifício estourando sobre mim e o templo cresce forte, mais forte se torna a loucura e assim o vento soprará com força, frio e longamente... Amiga viver assim, esses amores tão loucos é como uma bola de neve que desce a montanha.

E o templo do amor ruirá antes que este vento negro não mais sopre meu nome para você... Aproveite esse momento, amanhã o sol pode não aparecer no horizonte e no céu negro, eternamente, agora negro, os relâmpagos impetuosos como flashs iluminam nossos corpos e os demônios voyeurs  a espreita poderão assistir a cada movimento e curva de noosas loucuras.

E se voltar a chover, como todos estes dias, as águas lavaram nossas almas arrastando todos pecados a nós atribuidos e sobre o chão se dissiparão.

E os observadores ofegantes não se salvarão em meio dos tijolos e sonhos de concreto,todas as suas preces deverão se parecer com nada, dois mil e doze ondas abaixo tudo ruirá, não sobrando nada das pedras ao pó e somente o ar permanecerá.

Seus dogmas, preconceitos, suas palavras hipócritas, seus pecados mentirosos e inventados cairão em ruínas e o amor livre, leve, sem limites renascerá, sem regras, sem leis, sem certo ou errado.

No templo do amor
O único porto em que você pode confiar
Com os fogos de artifício estourando sobre mim
Com a arma de um amante e a dor de um tiro.
Sinto um rasgão na pele, percebo toda a agonia saindo de mim pelos cortes, permito que as vozes entrem, eu sei o que elas querem... Elas querem tirar você do caminho, qual o motivo de sua insistência?
Será que não se dá por satisfeito de me ver aqui caído feito um trapo velho? Será que todo esse zurzido não faz te aquietar?

Você não pode cometer uma injustiça, acho que já chega por hoje....

O corpo bêbado de tanto remédio, mas a mente está agitada como sempre, só a adrenalina pura faz apaziguar todo universo interno da minha alma.

Eles dizem que você está se tornando melhor
Mas você não sente nenhuma melhora.

Seus alto-falantes estão estourando
Seus ouvidos estão destruindo,
Sua audição danificada

Você deseja se sentir melhor

Você que está sempre em mim, eu que estou sempre em você, nós que somos um, somos dois, somos tantos as evzes e as vezes somos nenhum...
Não quero escrever nada agora, estou escutando uma música que mostra bem meu estado de espírito e diz muito de mim... Engraçado que conheço essa música a tanto tempo e só agora, aqui no meio dessa tormenta é que percebi o quanto ela fala de mim. Gente... como esse transtorno é perverso, quando a solidão se trona facínora, mesmo no meio de tanta gente o mundo parece tão silencioso e cruel que fica difícil respirar, quando nem os remédios fazem efeito o melhor é o silêncio, a torcida para conseguir dormir logo e a esperança de amanhã acordar bem. Alex Eros


Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
De muito gorda
A porca já não anda
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
Talvez o mundo
Não seja pequeno
Nem seja a vida
Um fato consumado
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça... "Chico Buarque"

Peleja íntima

 Quando viver se torna um grande desafio, só o fato de abrir os olhos e levantar é uma pena tão dura e sofrida. Quando se espera tão pouco da vida, quando se espera tão pouco de si mesmo, quando a vida não responde seus apelos, tudo se torna tão impossível.
Tem dias que, de tanto açoitar minha alma, me sinto um caco de gente, uma pilha de ossos, sinto a carne chorando lágrima de sangue.
Quando a vida se torna um ato de existir apenas, quando a vida se torna um tormento em si, só o vulcão guardado dentro de mim gera esperança.
Para todos os cantos que me viro vejo gente torcendo por mim, mas de que me vale os outros que só podem torcer da arquibancada, são batalhas diárias e solitárias, onde o inimigo tem como face o meu próprio espelho invencível.
Cada peleja é marcada na pele pelas lâminas das navalhas, estiletes e giletes que me encontram pelo caminho, nessa polemografiade mim mesmo, não há vencedores, no final perdemos todos eu e eu, nós dois, nenhum de nós. Este parto constante de mim mesmo, essas agressões que me faço é a força que me expele pelos poros rasgados e sangrando todo sentimento contido do fundo do meu ser.
Essa jornada sem fim em busca de mim mesmo, em busca de uma saída no mínimo honrosa para tudo que a esperança me sopra aos ouvidos, sussurando sonhos de finalmente sair dessa tortura, me livrar de todo esse mal que me agride de dentro pra fora.
Quem sabe a arquibancada que torce tanto por mim, um dia, poderá ver enfim a vitória de quem passou anos lutando por si mesmo nesse impossível chão. Alex Eros


Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão " Chico Buarque"

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis. "Fernando Pessoa"