sábado, fevereiro 06, 2010

Peleja íntima

 Quando viver se torna um grande desafio, só o fato de abrir os olhos e levantar é uma pena tão dura e sofrida. Quando se espera tão pouco da vida, quando se espera tão pouco de si mesmo, quando a vida não responde seus apelos, tudo se torna tão impossível.
Tem dias que, de tanto açoitar minha alma, me sinto um caco de gente, uma pilha de ossos, sinto a carne chorando lágrima de sangue.
Quando a vida se torna um ato de existir apenas, quando a vida se torna um tormento em si, só o vulcão guardado dentro de mim gera esperança.
Para todos os cantos que me viro vejo gente torcendo por mim, mas de que me vale os outros que só podem torcer da arquibancada, são batalhas diárias e solitárias, onde o inimigo tem como face o meu próprio espelho invencível.
Cada peleja é marcada na pele pelas lâminas das navalhas, estiletes e giletes que me encontram pelo caminho, nessa polemografiade mim mesmo, não há vencedores, no final perdemos todos eu e eu, nós dois, nenhum de nós. Este parto constante de mim mesmo, essas agressões que me faço é a força que me expele pelos poros rasgados e sangrando todo sentimento contido do fundo do meu ser.
Essa jornada sem fim em busca de mim mesmo, em busca de uma saída no mínimo honrosa para tudo que a esperança me sopra aos ouvidos, sussurando sonhos de finalmente sair dessa tortura, me livrar de todo esse mal que me agride de dentro pra fora.
Quem sabe a arquibancada que torce tanto por mim, um dia, poderá ver enfim a vitória de quem passou anos lutando por si mesmo nesse impossível chão. Alex Eros


Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão " Chico Buarque"

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis. "Fernando Pessoa"

Nenhum comentário: