terça-feira, setembro 01, 2009

A covardia de todos nós

Quando deito meu corpo no chão do meu quarto, tento manter a calma e ver algo mais... Minha cabeça dói, meu peito dói, minhas pernas latejam, parece que sinto o pulsar nas minhas veias, cada gota de sangue circulando desesperadamente pelo meu corpo.
Eu não tenho visto a paz, não tenho sentido a paz. Eu tenho visto e sentido a dor.
Você vê a verdade através de todas as mentiras deles? Não existe verdade, são todos buscando o poder, custe o que custar não importa, o importante é o poder. Até quando os seres humanos e a natureza vão aguentar?
Você vê o mundo através de olhos preocupados? Acredito que não amiga, a maioria de nós se julga incapaz de fazer sua parte em defesa do mundo. Fomos condicionados ao silêncio, são tantos erros, são tantas atrociddes e ficamos em silêncio. Nossa preocupação se tornou tão mesquinha e individual que pouco nos importa o futuro de nossos filhos e netos. Talvez eles nem cheguem a ver o mundo.
Política corrupta, justiça travada, polícia bandida, economias suicidas, sociedades degradadas, religiões assassinas, natureza morta ou quase... Chegamos na beira do abismo e não percebemos amiga. Não, não falo do assustador fim dos dias nem do apocalipse. Falo apenas da verdeira visão do mundo.
Quantos milhões de pessoas morrem de fome todos os dias? Quantas milhões de pessoas morrem de sede todos os dias? Quantas milhares de pessoas tem seus direitos violentados todos os dias? Quantas árvores e animais são extintos todos os dias? Mas, não devemos falar disso não é? Somos apenas eu e você, nada podemos fazer, as poucas pessoas que comandam o mundo diante dos governos, religiões, justiça, não querem rebeliões, não querem as pessoas pensando e se rebelando contra o sistema.
E se você quiser falar mais sobre isto, deite aqui no chão e chore no meu ombro, resta chorar e pedir perdão por nossa covardia, por nosso medo, por nosso silêncio.
Eu tenho visto tantos nascimentos mal concebidos. Eu tenho visto tantas mortes sem sentido. Vivo pra ver o último suspiro de um amante. Você vê minha culpa? Eu deveria sentir medo? Ou deveria sentir vergonha por ser fraco?
Ahhhh minha amiga, vamos deixar isso tudo pra lá, vamos sair e ver o que sobrou da natureza nessa selva de pedra, sentir o calor queimando nossos corpos no aquecimento global, vamos respirar um pouco desse ar doente “quase puro” junto com os gases cuspidos dos carros buzinando loucamente pelas ruas, vamos ver os dejetos e detritos bailando nas aguas negras e fétidas dos rios da cidade, vaos fantasiar que as torres e os prédios são árvores cheias de frutos e vida, ouvir o silêncio dos pássaros que não voam mais, vamos lavar nossa alma na próxima chuva ácida, imaginar as estrelas e os astros atrás da negra camada de poluição sobre nós...
Estamos vivos não estamos? Então vamos comemorar a debilidade humana, a covardia de cada um de nós, a cegueira de todos nós... Vamos andar por ai a noite entre automóveis enlouquecidos com seus pilotos bêbados, ver nas esquinas drogados sem rumo, os mendigos enrolados na última moda com suas roupas feitas de papelão, parar numa balada para acompanhar o vazio e a solidão dos que buscam emoções baratas e o êxtase momentâneo do álcool e por fim acompanhar aquela briga e violência gratuíta do final de todas as noites.
E se eu quiser falar uma vez mais sobre isso... Eu dependerei de alguém pra chorar no ombro, mas continuo só em meu quarto minha amiga...Eu tenho visto muito medo. Eu tenho visto pouca esperança e muita covardia.
Mas em breve qaundo o céu arder em chmas, o ar se tornar sufocante e o ser humano voltar ao seu estado de origem a selvageria generalizada, quando o caos concluir seu plano poderemos em fim descansar em paz...Na lápide estará escrito que aqui jaz a humanidade suicida, assassina de si mesma. Enquanto isso não ocorre ficamos aqui deitados esperando o ponto final com uma frase gravada a sangue e ferro em nossa pele:
"Na tua frente o abismo, atrás de ti os lobos"
Que o mundo e todos os seres que vivem nele perdoem a covardia de todos nós.

Nenhum comentário: